INTROVERTIDOS E EXTROVERTIDOS – A TIPOLOGIA JUNGUIANA



Há algum tempo não abordo de forma profunda a psicologia analítica aqui no blog, hoje é o dia. Irei falar sobre introvertidos e extrovertidos. A tipologia de Jung, vamos a ela...

Mas antes peço encarecidamente que você, leitor deste blog, leia a postagem que elaborei no dia 19/09/2016 sobre a relação de Freud e Jung. O nome da postagem é: FREUD E JUNG - DE DISCÍPULO A MESTRE.

Irá ajudar a compreender com mais clareza o pensamento não só de Jung, mas de Freud e Alfred Adler. E como Jung chegou a tais análises. 

Agora comecemos o assunto em questão de fato.

Quando o psiquiatra Alfred Adler reagiu ao pensamento de Freud quando dizia que a neurose derivava do poder e Freud afirmava que derivava do complexo de Édipo, Jung tinha em suas mãos uma análise profunda sobre introversão e extroversão.

Utilizou os dois para fazer suas observações e traçar um paralelo com sua tipologia específica utilizando a nomenclatura introversão e extroversão.

O plano de Jung para estudar a diferença entre Adler e Freud foi tomar cada teoria e mostrar como poderia ser aplicada em um caso concreto de neurose.

Jung concluiu: “cada investigador vê logo aquele fator na neurose que corresponde à sua peculiaridade (...) cada um vê coisas de um ângulo diferente e assim desenvolvem teorias e pontos de vista diferentes (...). O espetáculo desse dilema fez-me ponderar sobre essa questão: será que existem dois tipos humanos diferentes, um deles mais interessado no objeto, o outro mais interessado em si mesmo? (...) Finalmente, na base de numerosas observações e experiências, postulei duas atitudes fundamentais, a saber, introversão e extroversão.”

Em seus termos mais simples, Jung concluiu que Freud e Adler eram de diferentes tipos: Freud era um extrovertido, Adler um introvertido. No sistema psicanalítico de Freud os pais representam muito a formação da criança, por isso sua importância do complexo de Édipo.

Já Adler era um introvertido. Para o introvertido a resposta as circunstâncias é subjetiva. Segundo Adler a criança inicia suas atividades com desconfiança em relação aos pais e ao mundo de uma forma geral.

Jung acreditava que extrovertidos e introvertidos eram membros normais, saudáveis, da comunidade e que estavam dispostos a viver de forma diferente na sociedade.

Agora é importante dizer que essa disposição não é fixa como um destino, ela pode variar e se tornar menos marcante com o passar dos anos.

Nas minhas pesquisas descobri que o próprio Adler com o passar dos anos passou a ser mais extrovertido.

Outra coisa... Com frequência a introversão é confundida com introspecção. A introspecção é considerada um estado mental doentio a introversão não.

E a pergunta que não quer calar: qual era a tipologia do próprio Jung?

Jung era introvertido mas bem diferente de Alfred Adler, é bom frisar.

É bom que se diga também que Jung tinha todo um cuidado ao fazer tais análises, pois ele sabia que a Natureza humana é extremamente complexa dificilmente poderia ser dividida em dois grupos, mas ele nunca hesitou em relação a essa teoria.

Ele queria explicar essa teoria tão complicada de forma simples, tanto é que sustou a obra Tipos Psicológicos por 10 anos, só foi lançada em 1920, mas em 1916 escreveu um artigo esboçando essa teoria.

Todos os indivíduos possuem ambos os mecanismos, só que um prevalece sobre o outro e é isso que determina o tipo.

Na extroversão o fluxo de energia é de dentro pra fora.

Na introversão o conteúdo consciente refere-se mais ao sujeito, o que está dentro do indivíduo.

Algumas pessoas parecem proclamar sua tipologia, mas as aparências podem enganar, é necessário conhecer bem um indivíduo, antes de chegar a uma conclusão.

Até a próxima.

 Referência bibliográfica

O que Jung disse realmente

Edward Armstrong Bennet

Editora Zahar, 1985

Randerson Figueiredo

Sou um entusiasta da escrita, meu objetivo com este blog é divulgar de forma simples e dinâmica filosofia, espiritualidade e psicologia analítica e levar a você, caro leitor, o que há de melhor nestas três esferas de conhecimento.

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